07
Set
11

Nas férias decidi finalmente avançar para o fabrico da linha de lã. A fiação sempre foi um processo que me interessou, mas não queria ficar por ai. Sempre achei curioso o processo de criação de um novelo e então decidi fazer o processo quase todo.

A vantagem de ter uma “terra” é que temos à nossa disposição uma quantidade enorme de contacto com a natureza inclusivamente com animais de quinta. Entre eles encontram-se as ovelhas que quando lá vou as vejo a pastar e a passar à frente da minha casa. Uma das pessoas que trata delas é o Sr. Mário, meu vizinho e que conheço desde bebé. Quando lhe perguntei se me arranjava lã, ele não hesitou. Levou-me ao seu “armazém” e mostrou-me toda a lã que tinha tosquiado e que estava para ser vendida. Não estava separada por lã de melhor qualidade e pior, os velos estão completos (quando estendi o velo parecia mesmo que estava a ver um tapete em forma de ovelha!). Adorei um branquinho que lá estava muito fofo, mas apaixonei-me pelo castanho.

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Não estava muito limpo, é apesar de tudo era bem fofinho!

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Vim para casa com um velo completo (foi lã a mais) e no dia seguinte comecei a lavar a lã!

Pequisei muito sobre isso e optei por fazer o que considerei melhor. Primeiro lavei algumas vezes com água fria, sendo que mais perto do fim juntei um pouco de detergente liquido para lãs. A água saia mesmo muito suja e só parei quando já estava quase limpida.

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No entanto ainda havia muito lixo, acho que até se notou mais depois de começar a lavar…

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Depois passei a lavar em água quente. Para isso fervi água e depois deitei num recipiente no qual coloquei as lãs durante algum tempo (menos de 1 minuto) usando um escorredor:

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A água ficava com uma camada esbranquiçada, mas acho que tirou alguma porcaria:

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Depois foi deixar secar!

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Ainda tinha algum lixo agarrado que não tinha saído com as lavagens:

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Depois de seco, veio o processo que me levou mais tempo o “escarpiar” a lã (termo usado na minha terra), ou seja “abrir” com as mãos a lã. Ao fazer-se isso vai-se também retirando algum lixo que está agarrado e “abrem-se” os nós que a lã tenha para depois cardar melhor:
Lixo houve muito. Fiz questão em uma das vezes que escarpiei a lã (era muita lã e fui fazendo os pouquinhos) em colocar um saco por debaixo para que vissem o que tinha de lixo:

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No final parece-me que ainda fiquei com mais lã do que no inicio. E ainda não foi cardada!

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Agora falta cardar para depois fiar. Esta não será tingida, mas se gostar do processo de fiação já tenho prometida uma lã branquinha de boa qualidade que será logo guardada para mim aquando da tosquia para o ano.

Foi com muita pena minha que terminei assim as férias. Contava ainda em cardar a lã, mas o tempo não foi suficiente e além disso não consegui encontrar cardas à venda. Já de volta, descobri que existem pentes para cães que são cardas. O problema é que são mais pequenos que o normal… Estou a aguardar que a loja de animais ao pé da minha casa me traga uns pentes grandes e veremos se resulta para cardar a lã!
Desccobri depois de encomendar os referidos pentes que a Meada Dobada vende cardas, por isso se os pentes não resultares já tenho onde comprar!

A lã (pelo menos uma parte) irá comigo para o Dia Internacional de Fiar em Público.
, bem como o meu fuso novo!

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10 Responses to “Lã”


  1. 7 de Setembro de 2011 às 8:41 am

    Adorei ver o teu processo de preparação da lã. Vai ser óptimo ver um bocadinho dessa no dia de fiar em público!! ;o)

  2. 7 de Setembro de 2011 às 7:24 pm

    Eu estou absolutamente sem palavras!
    Nas fériias a menina tratou tudo isso? Cada dia te admiro mais.
    Eu tenho em casa uma carda da minda cadela, penso que são menores mas na falta de maiores, é o que se arranja.
    Como na minha terra nunca vi fazer isso parto do principio maluco que não se faz.
    Levas lã para o encontro?

  3. 7 de Setembro de 2011 às 10:57 pm

    Olá, assim como a Paula, também fiquei sem palavras, eu acho que ia ficar a olhar, sem saber por onde começar, a cor é linda, vai ficar um belo trabalho, admiro-te muito. A minha sogra sabe fiar, e eu gostava que ela me ensinasse, mas por aqui não arranjo nada disso 😦
    Bem, ficamos à espera de ver a lã enroladinha, pronta a ser trabalhada.
    Hoje fui conhecer a loja da Ovelha Negra, e adorei, estava a precisar de umas agulhas mais grossas, e por aqui não consigo encontrar nada, então, lá fui para o Porto. Procurei e encontrei, vou voltar com certeza.
    Bjos doces

  4. 7 de Setembro de 2011 às 11:57 pm

    Achei interessantissimo a sua demonstracao de lavagem da la…que trabalheira hein? Deu para sentir o quao determinada voce e’! Fico aguardando e curiosa para ver a la prontinha!

  5. 8 de Setembro de 2011 às 9:02 pm

    Foi trabalho que nunca vi fazer. Mas posso dizer que era habitual a minha sogra aproveitar as lãs tosquiadas das ovelhas e que das suas mãos saiam camisolas quentíssimas e meias até ao joelho a condizer.Para não falar de “mantas” que eram tão quentes que uma só chegava e sobrava para nos aquecer.
    Nas aldeias as pessoas têm mais contacto com a natureza e sabem aproveitar e transformar tudo quanto ela nos dá. São raras as mulheres que não sabem tricotar, crochetar,costurar e bordar na perfeição. Nas cidades a música é outra….
    beijos

  6. 10 de Setembro de 2011 às 9:14 pm

    era bem bonita essa lã 🙂
    vai dar um fio muito interessante.
    beijinhos

  7. 14 de Setembro de 2011 às 1:47 am

    Nossa, que trabalhão! Mas adoraria ter te acompanhado nesse processo. Adorei; obrigada por compartilhar.

    bjinhos

  8. 9 de Novembro de 2011 às 6:29 pm

    Ah, então foi assim que começaste… Não fazia ideia de todo este processo!

    Bjs


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